Publicado por: enquantoescrevo em: 01/03/2011
Quando eu era pequena, não compreendia muito bem o sentido do dia 8 de março, Dia da Mulher. Lembro que eu parabenizava minha mãe, assistia aos comerciais saturados de muito cor-de-rosa, elogios retroativos, flores, além, é claro, de receber uma overdose das músicas de Fábio Jr. E nada mais.
Depois, aos poucos, fui enxergando que as mulheres queriam ser reconhecidas e respeitadas – no lar e no mercado de trabalho. O sexo feminino queria ter direito ao amor, sim, mas também almejava autonomia, independência e voz.
Talvez tais lembranças sejam muito próprias de minha vivência, mas não descarto em minha observação que os pedidos de socorro das mulheres se modificaram com o passar dos anos. E, ao contrário do que a evolução sugere, estas novas reivindicações são tão primitivas que colocam em xeque a credibilidade humana.
A agressão contra à mulher é um exemplo. É inadmissível que mulheres sejam vítimas que atitudes tão grotescas. É inaceitável que homens usem de sua força para intimar namoradas, noivas, esposas, ex-companheiras, mães, irmãs e filhas. É repugnante que, por ciúme, por vingança, por traição, por embriagues ou por drogadição filhos assistam de camarote a destruição de uma estrutura familiar que deveria servir de modelo e base.
Em minha opinião, atualmente, o Dia da Mulher serve para alertar a sociedade sobre esta agressão tão democrática, que atinge juristas, desempregadas, empresárias, donas de casa, professoras e outras tantas mulheres sem nome.
Pensando nisso, durante esta semana irei postar uma matéria que produzi na cadeira de Redação e Produção de Revista, na Pucrs, em julho de 2009, quando ainda era “foca”.
“Muito além das cartas” é uma matéria extensa para ser lida aqui no blog. Por isso, irei fragmentá-la para que não se torne cansativa para vocês. Ela fala de um projeto pioneiro no Brasil, executado pelos Correios, que pretende orientar mulheres que sofrem agressões. E quem me levou às ruas para contar esta história foi a carteira Luciana, uma mulher incrível.
Tenho um carinho muito especial por esta matéria, pois me entreguei a ela, aprendi muito e pude enxergar um pouco mais deste universo obscuro. Espero, sinceramente, que alguma palavra, frase ou informação possa servir de ajuda, de consolo ou um incentivo para romper o silêncio.
02/03/2011 às 12:09
[...] havia comentado no post anterior, irei dedicar alguns dias desta semana para abordar a violência contra a mulher. Dividirei com [...]