Publicado por: enquantoescrevo em: 26/12/2011
Não foi preciso que os primeiros fios de cabelos brancos surgissem sobre minha cabeça ainda jovem para saber que o tempo está passando. Vejo minha imagem refletida no espelho diariamente, replico-me inúmeras vezes durante anos sem perceber que a fôrma que me molda há tempo foi alterada.
Você poderia olhar durante anos para si mesmo e navegar em águas calmas sem ter medo da velhice, de não casar, de não ter filhos, de não comprar um apartamento ou de não morar por algum tempo no Exterior… caso não fossem os seus amigos. São eles que dão ritmo e medida à sua vida. São os amigos que lhe avisam de que o tempo vem derrubando as balizas. Recomendo que esqueçam as rugas. Esqueçam os fios de cabelo branco. Esqueçam o número de velas sobre o bolo de aniversário.
Antigos colegas viajam pelo mundo afora em busca de novos rumos, amores ou aventuras. Eles se casam, separam, são promovidos, são rebaixados, escrevem um livro, engordam, colocam silicone nos seios, descobrem-se gays, engravidam, tornam-se vegetarianos, mudam de profissão.
Todas essas mudanças movimentam o nosso relógio, ou, pelo menos, o instigam a se mexer também. Sem nossos amigos mais próximos, os ponteiros seguiriam seu tic-tac constante, ensaiado e mecânico, sem ter muito que dizer.
O tempo tem como mensageiro não o estalar ríspido de cada segundo ou a folha desbotada do calendário. O aviso vem por meio de um convite de casamento na caixa do e-mail, da festa de formatura, do chá de fralda, da morte, do reencontro e desta engrenagem absurda e extraordinária chamada vida.
Esqueçam as rugas. Esqueçam os fios de cabelo branco. Esqueçam o número de velas sobre o bolo de aniversário.
Legal o texto.
Pra mim, o tempo tem avisado em forma de convites de casamento, que têm se tornado tão frequentes quanto as formaturas foram anos atrás.
Boa metáfora, Tiago! “Pior que é”…
26/12/2011 às 11:56
Xiiii, amiga, tá precisando mesmo de um chimarrão… hihihihih
te vejo amanhã, sem rugas