Sobre a multidiversidade do comércio

A diversidade, assim como tem a dádiva de oferecer mil maravilhas aos nossos pés, pode, inclusive, transformar a vida do ser humano em um enorme ponto de interrogação. Faça o teste: pergunte ao tio do picolé e do sorvete quais sabores ele oferece. Se parar no morando e chocolate, barbada, você é um sujeito decidido e feliz. Agora, se as opções ultrapassarem quatro sabores, meu amigo, seus problemas começaram.

No mês passado, participei, involuntariamente, de uma gincana, quando saí à caça de uma meia – calça fio 80, preta e lisa. Uma peça simples, consequentemente, fácil de ser encontrada, não é? Não. Procurei o então cobiçado artigo em diversos mercados e lojas (teoricamente) especializadas em moda feminina e… nada!

No entanto, um fato curioso me chamou a atenção. Se por um lado não encontrava uma peça tão simples, de outro, dezenas de outras opções se destacavam. Meia-calça que “levanta” o bumbum, que esconde a barriga, que esculpe o corpo, que elimina a celulite… ”Moça, tem meia – calça preta?” “Não”. As gôndolas ofereciam ainda meia – calça arrastão, coloridas, bordadas, estampadas, rendadas, em braille (fui irônica, por favor)… “Moça, meia preta…?” “Não”. Eu queria algo simples, mas quase impossível de ser encontrado.

Ir ao salão de beleza, cortar o cabelo, lavar e não fazer uma escova ou chapinha provoca olhares assustadores das demais mulheres. “Não quer escova?”, pergunta a mulher com a chapa quente na mão. “Não”, respondo. Ela contorce o rosto formando um arco com os lábios, sacode os ombros e aceita, resignada, minha solicitação. Eu SÓ quero cortar o cabelo, nada mais.

Outro exemplo (dramatização):

“- Alô? Uma pizza com três sabores, por favor”.

“- Quais, senhora?”, pergunta a voz anasalada.

“- Um de queijo, outro…”

“- com rúcula?”

“- Não! Só queijo. Tá, os outros. Um de frango…”

“-… com catupiry, senhora?”

“- Não! Só frango. E o último de brócolis…”.

“- Com borda, senhora?”.

“- Não!! Eu quero uma pizza normal, ok?”

“- A senhora tem direito a uma pizza doce…”.

“- Hum… me vê uma de chocolate, então”.

“- Com M&M’s, senhora?”.

Assim fica difícil, não é? Claro que aqui estamos tratando de uma dramatização. Mas já me aproximei muito de uma situação destas.

Ter o que escolher e poder atender gostos inusitados e exóticos é positivo. Os nichos de mercado, que antes não eram atendidos, passam a merecer a atenção devida, além de reverterem lucro a empresas. Mas, desde que não se esqueçam do básico, ainda precisamos deles.

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