TV Pandorga inspira telejornais brasileiros

Qual bom menino ou menina não assistiu nas longas tardes da infância querida (que não volta mais, desculpa) a TV Pandorga? Lembram dos personagens? Teixeira e Teixeirão, aqueles dois bonecos fantoches que cantavam músicas tradicionalistas… E o Jornal Legal (pouco mais atual) que é apresentado por Anete E-mail, Giga Byte e Carlos @.

Todos bem caracterizados, caras e bocas… É muito bom, e quando eu posso, assisto. As vozes propositalmente agudas e expressivas – os personagens idem. Pois, então, estamos falando de um programa in-fan-til e muito qualificado ao que se propõe, isso incluiria o público.

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 Ah! Sinto-me uma criança novamente. Não, agora não estou me referindo ao Pandorga, mas aos telejornais que temos disponíveis, principalmente nos canais abertos. Com esta história de interatividade e proximidade com o público, alguns jornalistas acreditam ser Anete E-mail ou Carlos @. (“O globo gira porque o mundo gira”, lembram?).

Assistir ao telejornal exige empenho do telespectador. Claro! Você precisa mexer todos os músculos do pescoço para poder acompanhar os movimentos exaltados dos apresentadores e repórteres e os olhares penetrantes que as jornalistas lançam da bancada ou na previsão do tempo. E o que mais me tira do sério é que eu me sinto a Nina, outro personagem fantoche do Pandorga. Isso, quando não resolvem improvisar… Sabe aquela piadinha que não dá certo? Aqueles comentários forçados acompanhados de sorrisos e troca de olhares? “Opa! Começou a novela? Não, é o telejornal mesmo.”

Certo, o apresentador não precisa chegar à bancada com cara de revolta, ódio no coração, olheiras expostas ou jogar objetos contra o TP. Mas vamos manter o nível, gente. Jornalista não tem que fazer papel de palhaço para o telespectador. A função é informar da melhor maneira possível. Temos diversos exemplos: Caco Barcellos, Ilze Scamparini, Marcos Uchôa… Daí tem o CQC, que é ouuuutra história. A proposta é completamente diferente e de resultados muuuuito satisfatórios.

Dia desses, assistindo a um programa de esportes, a jornalista conversava com um jogador de futebol. Não lembro o nome, nem clube. “E aí fulano, muito cansado da viagem? Blá, blá…” “Sim”, disse o dito cujo, lamentando ter ficado longe da família e amigos. Eis que a apresentadora: “Eu sei o que é isso, eu também tenho filhos…” Desculpem a minha indiferença, mas eu estou pouco ligando se a jornalista é mãe e se sente saudades dos filhos. Isso cabe em outro momento em que ela for entrevistada. Cada um no seu quadrado.

Talvez este meu comportamento seja o reflexo de meu conservadorismo telejornalístico. No entanto, contra minha linha de pensamento, alguns professores da área acreditam que esta será a tendência. Traduzindo para quem pensa que nem eu: vai piorar. Então, pessoal, atenção para o top de cinco segundos, porque a concorrência do Pandorga vai entrar no ar!

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