Casa dos avós: o recreio da vida

avos6Devido ao meu intenso envolvimento acadêmico nos últimos tempos, não pude comentar sobre o Dia Nacional do Idoso, comemorado na última quinta-feira, 1º de outubro. Mesmo sabendo que esta data difere do Dia dos avós (26 de julho), não consigo ignorar esta relação.

Dia desses, enquanto eu divagava sobre o passado, dei-me conta de que as lembranças mais remotas que tenho estão refugiadas na casa dos meus avós. Ahhhh… coisa boa esta nostalgia que me remete a uma áurea de proteção, travessuras e carinho imensurável.

A casa dos avós é o recreio da vida. É o único lugar onde o tempo não passa. Os móveis, o cheiro das gavetas que você ainda gosta de mexer, a sua foto quando pequeno, já um pouco amarelada, o brinquedo que nem se lembrava mais. Está tudo lá, intacto, esperando por você, sempre.

Os vestidos, os sapatos, os batons e os álbuns de fotografia da minha avó materna faziam parte das explorações que eu fazia no quarto dela, onde ficava por longas tardes me distraindo. Além, é claro, das histórias. Minha mãe ouviu, eu ouvi e, certamente, meus filhos irão ouvir a história do “Macaco que gostava de comer a banana da véia” (bizarro, mas existe!). Não irei me estender muito, mas o conto acabava com o tal macaco dizendo: “Eu vi a bunda da véia!” A Gonçalina não tinha muitos escrúpulos.

Minha avó fazia doces e salgados para festas quando ainda podia trabalhar. Na geladeira, sempre havia uma bacia de negrinho. Com uma colher, eu roubava um pouco daquele doce, imaginando que minha avó não fosse notar aquele buraco no doce. Nunca ouvi reclamação.

Hoje a situação inverteu-se: minha avó é a criança. Diabética, come merengue escondida, só que desta vez quem a acoberta sou eu. Põe a língua para quem não gosta e fala o que dá na cabeça. Acha que as mãos enrrugadas não combinam com ela, diz que se parecem com mãos de gente velha, ela que tem 85 anos.

Que bom se, diante de cada problema que eu enfrento, pudesse largar tudo e pedir colo à minha avó. Comer negrinho roubado, tomar banho no tanque ou de mangueira. Pedir moedas para comprar bala 7 Belo, brincar com as cascas dos legumes que eram preparados no almoço, brincar com os brincos guardados no porta-joia e me queixar do serviço. 

Ah… a casa de minha avó, meu eterno recreio.

***

Obs: E você? Guarda boas lembranças dos seus avós?

 

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Um comentário sobre “Casa dos avós: o recreio da vida

  1. Patricia disse:

    Oh Pri… assim não vale! É a segunda vez em pouquíssimos dias que me fazes chorar…
    Será que estou tão “mantegona” assim ou és tu que estás pegando no ponto certo?
    Beijos

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