A importância de certificar sua existência

Estou – tentando – ler Tia Julia e o Escrevinhador, de Mario Vargas Llosa. É difícil destacar apenas uma passagem de um livro fantástico como este, mas uma delas me chamou a atenção. Quando o personagem principal, Varguitas, fala que, às vezes, em meio à correria diária, dá um jeito de encontrar o amigo, Javier, para que possam garantir a existência um do outro.

Perfeito, pois é isto que ando fazendo. Mando e-mails furtivos durante as atividades que exigem de mim uma dedicação integral e quase exclusiva. Um torpedo para uma amiga. Um scrap a um ex-colega e, com muita sorte, um telefonema. E assim vou levando a vida, atestando a minha existência aos amigos.

Não estou satisfeita com a situação. Mas, pelo menos desta forma, não me perco entre as monografias, os empregos, as separações, as crises existenciais e os cães doentes que rodeiam a rotina daqueles que eu gosto.

Para os amigos de verdade, talvez não seja tão fácil ser esquecido, mas o momento propicia tal postura ingrata. Quando você se dá conta, já se passaram quatro anos e você ainda não foi tomar aquela cerveja com seu amigo. O “vamos marcar algo?” já faz parte da saudação, é uma convenção para externar o seu interesse pela pessoa. Mas este dia não chega e você não liga. Culpa do tempo! Se o dia tivesse mais de 24 horas tudo seria mais fácil (desde que o tempo restante não fosse usado para aumentar a carga horária no serviço).

Agora, depois de comprovar minha presença na internet, me dá licença que preciso atestar a existência a minha mãe, pois ela já está duvidando disso…

Anúncios

2 comentários sobre “A importância de certificar sua existência

  1. nandaetges disse:

    “A gente se fala”… Então se viram e seguem seus caminhos até o próximo encontro casual. “A gente tem que fazer alguma coisa”, um dos dois vai insistir. E talvez o próximo contato seja em um aniversário de um amigo em comum, nada planejado. E assim vamos indo, nos equilibrando entre trabalho, estudos, monografia, amigos, família, pesquisas para comprar uma bicicleta.

    • enquantoescrevo disse:

      E se não fosse a internet e as redes sociais? Como seria? Nos falaríamos por carta? Teríamos tempo para isso?

      Assim como a lista dos livros que eu quero ler depois que tudo isso acabar, acho que vou criar uma para visitas e encontros. Vó, amigas, irmão… E o pior, ou melhor, de tudo é que a lista tende a aumentar cada vez mais, já que tantas pessoas entram na nossa vida. Bju, Ananda!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s