Eu e o meu corpo, meu corpo e eu: uma relação recíproca

 

Não sei se posso afirmar que a mulher possui uma relação muito mais intensa com o próprio corpo do que o homem, mas estou quase certa disso. Que fique bem claro que não me refiro apenas às habilidades dos órgãos reprodutores e do exibicionismo instintivo desta máquina como forma de conquistar o sexo oposto ou capas de revistas. Falo da relação de respeito, de atenção, de observação, de toque e de prazer.

 Já na infância, assim como os meninos, “descobrimos” de onde sai o xixi, mexemos, brincamos e, como se não bastasse, queremos desfilar nus, mesmo que seja na praia, no aniversário ou na casa de algum parente. Por um breve momento em nossas vidas, estamos livres do pudor…

Na adolescência, a menina observa atentamente quando as primeiras manifestações do que, no futuro, será considerado um seio. Tocamos, olhamos e velamos nosso corpo até tomar forma. Dentro do guarda-roupa, um sutien de algodão nos aguarda. Se depilar será considerado a realização plena da maturidade corporal, por isso, mais uma vez, a observação quase diária em frente ao espelho.

As prováveis cólicas, entre os 9 e 13 anos, indicam que logo virá a primeira menstruação, a chamada menarca. Sede, irritação, dor de cabeça, tristeza, irritação ou vontade incontrolável de comer doce. Opa! Os sinais do nosso corpo querem dizer algo: TPM. Precisamos estar atentas para o bem daqueles que nos rodeiam.

O primeiro beijo, a primeira descida de mão mais ousada. Excitação? Receio? O que está acontecendo com o nosso corpo? A razão exige algo que o nosso prazer não quer obedecer. Vem a primeira vez, a primeira transa. Traumática? Inesquecível? Sem graça? O nosso corpo fala e, por isso, precisamos nos entender com ele. Do que gostamos? Assim? Assim? Ou aaasssimm?

E como se não bastasse podemos gerar o maior milagre de que o ser humano é capaz: a vida. Sentimos um novo ser dentro de nós se mexendo, chutando e empurrando seu antigo lar em busca da luz do mundo e do alimento produzido por nós mesmas: o leite materno.

Existe ainda a preocupação com a forma física, tão exigida em nossa cultura tupiniquim. Mas também há o interesse com a saúde, afinal, logo os hormônios estarão aí para causar alguns incômodos.

Cuidados com os calorões, com a menopausa, com o câncer de colo de útero, de seio, entre outros, não menos preocupantes. Mais uma vez, nos tocamos, nos olhamos.

Enfim, a idade chega e não temos mais o corpo que as meninas mais novas exibem na beira da praia. Já somos esposas, mães, avós. Temos distribuídos pela extensão da pele estria, celulite e flacidez, as marcas tatuadas pela vida.

Apesar de tudo isso, precisamos aprender a gostar do nosso corpo da maneira que a natureza e a gravidade nos proporcionaram. Não é qualquer mulher que consegue tal façanha, é preciso ser muito mulher para isso.

Teremos que lançar mão de muita coragem para exibir nossa “barriguinha”, exposição esta muitas vezes nem percebida ou cobrada dos homens, mesmo que eles não tenham carregado uma barriga enorme durante nove meses, feito um parto normal ou cesárea, ou amamentado.

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Muitos filósofos discutiam o que seria a alma e o corpo. Existiria separação entre eles? Para mim, o corpo é a extensão do espírito (alma, consciência, como preferirem). E, assim, como tenho a necessidade de conhecer minhas limitações emocionais, mentais e intelectuais, continuo atrás da constante descoberta do meu corpo, que se transforma de forma lenta, mas sábia e transbordando vida.

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