Sobre o dia mais importante da minha vida

Há, mais ou menos, seis anos estava me separando do meu marido e vindo de mala e cuia para Porto Alegre, para o colo e a casa de minha mãe. Sem perspectiva alguma, fiquei à deriva sem saber o que fazer da vida. Uma idéia, na época considerada uma loucura, rondava a minha mente: voltar a estudar. “Mas fazer o quê?”, pensava, já que eu me considerava velha demais. Vários colegas do ensino médio estavam terminando a faculdade e eu ali, sem destino certo aos 21 anos.

Não tinha dinheiro, portanto, não haveria a possibilidade de pagar uma faculdade. Solução: empréstimo a um banco (ao qual ainda estou devendo, diga-se de passagem) para conseguir me matricular em um cursinho pré-vestibular. A saída, assim como para muitos, era passar na UFRGS.

Há 4 anos eu não entrava em uma sala de aula. Tive que relembrar e aprender muita coisa. Perdi sábados, domingos e feriados. Conheci pessoas maravilhosas, com quem até hoje mantenho uma relação de verdadeira amizade. No primeiro vestibular, faltaram 30 pontos para que eu conquistasse a vaga de Relações Públicas. Não consegui, mesmo assim, havia vencido.

Pensei em desistir, mas resolvi me dedicar mais um ano em outro cursinho. Sem finais de semana, sem feriado, sem namorado, com pouco dinheiro, mas já empregada em um escritório de recuperação de dados de Hd’s. No meio do ano de 2005, fiz o Enem para “testar” a segunda prova da UFRGS que eu faria. Foi relativamente fácil, se comparada com a da Federal. Tirei uma nota bastante satisfatória.

Chegou o segundo vestibular e eu senti a responsabilidade multiplicada em minhas costas, afinal, seria a segunda e, para mim, a última chance. Não teria fôlego para encarar mais um ano de cursinho. Não passei. Um dos problemas da prova da UFRGS é que a média vai aumentando e, por mais que você se dedique, no ano seguinte, provavelmente, ela será maior.

Sendo assim, voltei minha atenção e esperança à prova do Enem e ao ProUni, onde teria a chance de ingressar na faculdade. Em Janeiro de 2006 li o meu nome na lista dos aprovados. Iniciei o curso de RRPP na Pontifícia Universidade Católica do RS.

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Nunca esquecerei, e me emociono sempre que me lembro, do dia em que fui com minha mãe pegar a minha carteirinha na Pucrs. Finalmente havia conseguido. Não foi sorte, eu conquistei. No segundo semestre já havia trocado o curso: estava na turma de Jornalismo.

Foram os quatro anos mais importantes da minha vida. Aprendi muito, li muito, saí da bolha. Me apaixonei pela área e encontrei o meu espaço no mundo. Conheci pessoas fantásticas, fiz estágios que me proporcionaram experiência e sei que, de alguma forma, me tornei uma pessoa melhor. Me dediquei com afinco à oportunidade que me foi dada, assim como os demais alunos “ProÚnicos”, que levantaram as médias da faculdades particulares. Pessoas que não pagaram o curso, porém, que se dedicaram, destacaram o seu trabalho e mostraram porque mereciam estar onde estavam.

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Daqui a pouco, no dia 29 de janeiro de 2010, às 17h estarei entrando no prédio 41 da Pucrs, de toga, dedicando à minha mãe esta conquista, mostrando a ela que pouco me importa se não tenha conseguido me ajudar financeiramente, mas que tenha me sustentado no colo quando eu mais precisei.

O meu maior bem, o meu tesouro, carrego, hoje, aqui comigo: o conhecimento. Isto, nenhuma crise financeira, terremoto, ditadura ou doença poderá arrancar de mim. Levo o que aprendi comigo e o repassarei a quem eu puder, pois este é o direito de qualquer ser humano: aprender e se tornar uma pessoa melhor.

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Agradecimento sincero aos meus colegas, professores, ex-chefes e ao meu namorado que me apoiou de forma incondicional nesta caminhada.

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4 comentários sobre “Sobre o dia mais importante da minha vida

  1. É a segunda vez que me fazes chorar após com um texto que escrevestes. O outro foi “Por que escolhi jornalismo como profissão”. Naquela oportunidade, as lágrimas tiveram uma motivação um pouco egoísta, mas no bom sentido da palavra, se é que isso é possível. Pensei em como deve ser maravilhoso amar tanto sua profissão ao ponto de abrir mão de tantas coisas por ela. Gostaria de poder sentir o mesmo em relação à minha.
    Dessa vez, o choro foi bem maior, e nada egoísta. Agora foi de felicidade por ti, minha amiga querida, que conheci no cursinho prévestibular, graças ao teu sonho. Você chegou lá. Estou feliz de mais, pois sei o quanto tu batalhou por isso. Aproveita cada minuto do “TEU DIA”. Você merece! Beijos!

    • enquantoescrevo disse:

      Em primeiro lugar, saiba que não é minha intenção te fazer chorar…hehehe. Em segundo lugar: tenho certeza que você será uma excelente profissional, pois lutou muito para chegar onde está. E nós só batalhamos e damos o nosso sangue para aquilo que amamos fazer.

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