Não existe história única no jornalismo nem na vida

Na semana passada, li um post no Engenhoca de Papel, blog da colega Natália Pithan, que não desgrudou da minha cabeça. No texto, ela relatava uma cena, no mínimo, constrangedora de uma brasileira na França. O professor a chamava de “a menina que veio da floresta” – para quem não entendeu, a floresta era o Brasil. A Natália questiona como pessoas consideradas tão cultas podem cultivar um pensamento tão retrógado e preconceituoso sobre nós brasileiros.

Aqui no Brasil, nas salas de aula, aprendemos e, muitas vezes, decoramos nomes de países, cidades e capitais para nos manter bem informados sobre o mundo lá fora. Por que é diferente lá fora? O mundo gira ao redor dos EUA e Europa? Creio que não. Devemos tomar cuidado com a história única, sobretudo, os jornalistas.

Por vezes, nós, a sociedade em geral, essencializamos conceitos, países, pessoas. Abrimos um vidro e colocamos tudo lá dentro. Não nos damos ao trabalho de notar que, nem mesmo o tom borrado da mistura das cores indica a existência de outros elementos, que há particularidades. Mas não: se estão no mesmo vidro, todos fazem parte de uma coisa só.

Um vídeo da escritora Chimamanda Adichie fala com maestria sobre “a história única”. Ela fala justamente destas imagens pré-concebidas e carregadas de estereótipos que nós insistimos lançar mão. A história dela é fantástica – e engraçada – e traz toda a riqueza na trajetória que cada um leva consigo.

Deixo aqui um trecho do que a Chimamanda fala no vídeo: “As histórias importam. Muitas histórias importam. As histórias têm sido usadas para desprover e tornar maligno. Mas as histórias também podem ser usadas para potenciar e para humanizar. As histórias podem quebrar a dignidade de um povo. Mas as histórias também podem reparar esta dignidade quebrada”.

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