O eterno partir da rodoviária

Rodoviária de Santa Rosa, no noroeste do estado do Rio Grande do Sul. 18h. Enquanto aguardava o meu ônibus de volta a Porto Alegre, percebi que rodoviárias foram feitas para se partir, não para se chegar. Claro que a função abrange as duas coisas, mas o clima de desapego é bem maior do que o de aconchego.

É certo que você encontrará em um bar de rodoviária um pensamento comendo um pastel ou tomando um copo de café preto. E no pensamento, você enxergará os olhos perdidos em lugar aonde ainda não se chegou.

Nos terminais, há desamparados que procuram um rumo, mas certamente existem muito mais pessoas alinhadas que procuram um desvio no caminho. Os bancos dizem isso: não esperam quem chega, mas lamentam pelos que se foram. As malas, os guarda-chuvas e os casacos esquecidos sabem disso, nunca foram resgatados porque ninguém chega, só parte. Isso não é triste, pois o partir também é belo, exige coragem e determinação em deixar algo que nunca se perderá de nós.

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