Nu, mas com a mão no bolso

Casacos, calças ou qualquer outro tipo de vestimenta deveriam ter bolsos. Todos. Obrigatoriamente.

Além das mãos e do frio, o bolso tem o poder de nos proteger do desconforto e do embaraço. É lá dentro, no bolso, que as pontas dos dedos se debatem durante a espera constrangedora em algum saguão sem nome.

É dentro do bolso que a mão úmida de suor descobre os resquícios do dia. É lá que notas fiscais apagadas, moedas de 1 centavo e restos de cliclets formam o adubo personificado.

Foto: Vitor Antunes

O bolso é o refúgio dos tímidos e o afago do pedestre solitário. É o divã das mãos e, se pudesse, seria o do corpo e o da alma. É o tranqüilizante dos inquietos e a bengala dos estilosos.

Dentro de um bolso você pode prever o desespero, a alegria e ou a ansiedade. O bolso é a estação das sensações. É a gaveta ambulante que carregamos conosco.

O DNA do bolso é desenhado pelas manchas internas da caneta e de linhas soltas. É ali que fica um pouco de nós.

Tristes das peças que não têm a sorte de oferecerem um bolso. São pedaços de tecido, apenas. Uma calça sem bolsos não é uma calça. Um casaco sem bolsos não é um casaco. São retalhos indiferentes e inertes que não sabem atender ao pedido suplicante de mãos solitárias.

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