A extinção do desejo

O desejo está sendo extinto aos poucos. Pelo menos no que se refere às frutas. Não sei se alguém já reparou, mas desde fevereiro passado fatias ruborizadas de melancia exibem-se no setor de fruticultura dos supermercados. Continuaram lá em junho, julho, agosto e tudo indica que entrarão outro verão sem esconder-se dos nossos olhos.

Qual objetivo de tanto excesso? Eu só sabia que o verão havia dado o ar da graça quando sentia o cheiro da melancia. A melancia tem gosto de mar, de férias, de veraneio… ou nunca observaram isso? Agora que destino terá aquela minha ânsia masoquista de comer pedaços gelados da fruta e reclamar da ingestão distraída de suas sementes?

O inverno só é inverno porque sentimos o cheiro (dependendo de onde estamos, quase constrangedor) da bergamota (ou tangerina). Como saberei distinguir as estações do ano? Perdi os critérios. Caíram-me os butiás, abacaxis, pêssegos e uvas do bolso. É a banalização da oferta, é o fim do mundo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s