Boletim médico informa: meu Voto entrou em coma

Pela primeira vez, desde os meus 16 anos, irei anular o meu voto. E é com profunda e sincera tristeza que escrevo isso. Meu Voto sofreu falência múltipla nas motivações: entrou em coma.

Os sintomas já eram observados há algum tempo, mas acreditando em sua imunidade aos deslizes políticos, aos discursos movidos pela paixão – e pouco pela razão -, à ignorância dos marketeiros e às falhas passíveis de uma democracia, ignorou os sinais.

Tudo começou com uma tontura. O diagnóstico era anemia: ausência de propostas durante a campanha eleitoral e, sobretudo, nos debates. Pouco se falou em Educação. O que fazer com a precariedade das universidades federais? O que seria feito para melhorar a qualidade de ensino? Transporte escolar? Metas? Nada.

A Cultura mal entrou na discussão. O meu Voto não conseguiu gravar nenhuma proposta, até porque ela não existiu.

A França quase entra em colapso em função da Previdência e, aqui no Brasil, em plena campanha, sequer uma ideia consistente foi apresentada.

Os brasileiros consomem como nunca. Mas, e a produção? Está aquém do desejado. No entanto, não se fala nada.

Saneamento básico, água encanada, segurança, situação dos presídios, projetos concretos para o Meio Ambiente? Nada.

Em seguida, foi constatada uma inflamação no fígado de Voto, devido à ação agressiva de baixaria, jogo sujo de ambos os lados, burrice e soberba. Entre uma propaganda política e outra, entre uma notícia e outra, quando acreditava ter alívio, lá vinha uma pancada. Não havia tempo para respirar. O fígado não agüentou, Voto chorou de dor.

No fim do segundo turno, a situação piorou. Uma fadiga terrível tomou conta de Voto. Eram propostas descabidas demais, inaplicáveis… Voto se sentiu um idiota. Sinais de angústia, ansiedade e isolamento fizeram-no distanciar-se. Estava com depressão.

Daí em diante, o caso só se agravou. O meu Voto, querido Voto, percebeu que não iria resistir a esta tempestade de baixaria, vazio e avareza. Deitado na cama do hospital, Voto lembrava apenas de imagens destorcidas na tela da TV. Não tinha certeza sobre o que era, mas sabia que se tratava de bolinhas de papel, aborto, religião e bexigas. Os olhos de Voto foram fechando-se lentamente. Só deu tempo para resmungar, entre os dentes, que nenhum dos dois o merecia.

PS: Meu Voto espera voltar do coma um dia.

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