O túnel e eu

Na última sexta-feira, eu passei por um túnel antes de chegar ao destino de minhas férias. Com o pensamento solto, próprio de quem se desprende da rotina, lembrei-me do quanto gostava de túneis quando pequena. Minha idade insiste em racionalizar aquela minha fissura por túneis.

Na beira daquele precipício horizontal, deixava de falar, ler ou escutar. Queria apenas sentir a sensação de desbravar aquele túnel que oferecia certa segurança para minha imaginação. Desbravava o sexo frio de rochas e morros em uma cidade depravada, que não se intimidava em exibir seus arranha-céus. Mesmo que eu soubesse que a estrada, avenida ou a paisagem fossem as mesmas assim que a luz ofuscasse os meus olhos, o breu fomentava minha imaginação.

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Pensei por quantos túneis já passei em minha vida, momentos difíceis nos quais não soube aproveitar o escuro. Com o passar dos anos, deixei de desfrutar, de estudar a escuridão e o seu processo de maturação. Só queria saber quanto tempo faltava para chegar ao fim.

Hoje, ao passar pelo túnel que citei lá no início do texto, enxergo no espelho retrovisor a Priscila criança. Está em silêncio, expressando respeito por aquele desconhecido. Chego à conclusão de que preciso aprender mais com ela.

Silêncio, aí vem mais um túnel.

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