Que parte meus irmãos são de mim?

Sempre que encontro por acaso esta foto enlaça um nó na garganta. Estamos nós três  debruçados na borda de uma piscina de plástico. O riso sai fácil, assim como as brigas  tão comuns entre irmãos.

Afinidades. Desavenças. Disputas pela atenção e pela abstrata e muda preferência materna. Quarto, brinquedos, lanches e amor que minha mãe tentou dividir de maneira igualitária. O esforço é válido e genuíno, embora o mais relevante seja o quanto estamos dispostos a receber ou recusar daquilo que nos é dado.

Nos afastamos aos poucos por vocês dois serem homens e eu mulher, por termos idades distintas, gostos diversos, por morarmos em cidades diferentes ou por qualquer outra desculpa que suprima a responsabilidade de se bancar uma relação.

Olho agora para a foto. Onde vocês começam ou terminam em mim? Em que parte nos encontramos, já que vocês não são minha origem nem meu fim? Vocês são o meu igual mais diferente. Olho para vocês e tento me reconhecer na parte que também é minha, que também sou eu.

Onde tocam as músicas que cantávamos em frente ao espelho? Qual a cor predileta de vocês? Que filme mais gostam? Por que nem brigamos mais? Precisamos descobrir, urgentemente, não onde nos encontramos, mas quando nos perdemos.

Olho a foto. Estamos nós três debruçados na borda de uma piscina de plástico. O riso saía fácil.

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3 comentários sobre “Que parte meus irmãos são de mim?

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