“Quem ela é?”

Essa foi a pergunta que o meu avô fez ao meu pai, enquanto eu me sentava à mesma mesa que ele. Nunca fomos muito próximos, já que meus pais são separados, e o contato com os familiares do lado paterno nunca foi uma prioridade para mim.

Mas o fato é que meu avô não me reconhecia. Sofria de Mal de Alzheimer, devia estar com quase 90 anos. Não lembro de ter sentado no colo daquele senhor de olhar perdido durante minha infância, de ter pedido para me embalar em um balanço ou de ele ter me buscado na escola.

Mesmo assim, o fato de não ser lembrada foi uma das piores experiências da minha vida. Meu rosto não foi reconhecido, minha presença não fez a menor diferença, minha voz não causou nenhuma reação. Era uma folha em branco à frente dele. Nem rancor, carinho, ódio ou desprezo. Nada.

Daquele momento em diante eu sabia que havia sido deletada da vida de alguém, não por escolha, mas uma debilidade cruel que apaga de forma sorrateira as pegadas que deixamos pela vida. Não existir dói. Não fomos preparados para representarmos o vazio.

Ali eu me indaguei se eu existia por ser de carne e osso ou pelo fato de minha existência ser validada pela lembrança que outros tinham de mim. Afinal, o que faz com que eu exista?  Qual a importãncia que os meus rastros têm na vida daqueles que me rodeiam? Em que parte da memória de alguém estarei guardada? Em que outro pedaço serei esquecida?

Vejo e ouço muitas histórias de pessoas que perdem a memória justamente quando ela seria imprescindível, quando a lembrança, muitas vezes, é o único apoio da solidão ou da invalidez. E tive medo de deixar de existir para alguém novamente.

Não quero uma “próxima vez”, mas, caso isso aconteça novamente, não me resignarei ao anonimato imposto. Tentarei registrar, quantas vezes forem necessárias, a minha presença, o meu existir. Precisarei fincar minhas pegadas, mesmo sabendo que após o segundo passo, o primeiro não exista mais.

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O homem que vende mapas

O homem que vende mapas fica na saída do supermercado. Quase diariamente, continentes e mares se sobrepõem à calçada estreita por onde escorregam passos ligeiros.

O homem que vende mapas oferece o planeta por um preço camarada. Carrega a humanidade dentro de uma bolsa velha e desbotada, fazendo com que montanhas de gelo derretam e inundem um pedaço de pão mofado.

O homem que vende mapas não sabe onde fica a Alemanha nem a Jamaica, mas carrega o mundo nas mãos com imponência latifundiária.

O homem que vende mapas em frente ao supermercado é dono de um universo que insiste em empurrá-lo para o canto sujo de uma calçada.

Os Alquimistas já chegaram

Os Alquimistas não estão chegando, já chegaram, inclusive devem estar ao seu lado. Só que você anda muito ocupado ultimamente, não é? Lamentável… Mas eles são pacientes, assíduos e perseverantes.

Em seus cadinhos, vasos de vidro e potes de louça tentam, arduamente, transformar este metal bruto, que você carrega no peito e na alma, em uma pedra lapidada e bem trabalhada. Claro que isso exige muito suor, já que as camadas de pessimismo, estresse e rancor dificultam a ação dos Alquimistas.

Mas logo ali (está vendo? ali, ó!) começa a cintilar um naco dourado que jorra abraços, encontros inesquecíveis e gargalhadas compartilhadas. O Elixir da Longa Vida foi descoberto, finalmente!

Contudo, faz-se necessário uma advertência. O maior benefício deste elixir não é a imortalidade, mas a certeza de que eternamente você poderá contar com um amigo, a verdadeira pedra filosofal da vida.

Corpo: um estranho em nós

No último domingo, assisti Turnê – com direção de Mathieu Amalric – que também atua como protagonista do filme. Bem resumidamente, a trama conta a história de um ex-produtor de televisão francês Joachin Zand (Amalric) que resolve se arriscar nos Estados Unidos. Lá, ele convida um grupo de mulheres a participar de um show no estilo New Burlesque com o objetivo de levar a turnê pela França. Ok.

As atrizes que atuam em Turnê – pelo menos grande parte delas – são dançarinas na vida real. E é justamente por este motivo que a história ganha veracidade. Explico. As dançarinas têm barriguinhas salientes, corpo flácido, celulite e seios que (oh, que horror!) se renderam à força da gravidade.

Enquanto, para mim, aquelas cenas significavam a redenção de mulheres reais, interpretando mulheres reais em uma tela que ampliava ainda mais suas generosas formas e seus “defeitos” (muitas aspas, por favor), ouvia comentários – lamentáveis – das espectadoras. “Nossa, credo!”, “Que horror…” e outras observações do gênero.

Curioso que no filme há uma dançarina – a que tem o corpo mais torneado – que tem vergonha de mostrar os seios durante a apresentação de seu número no show. Simplesmente não consegue, é insegura, tem vergonha. E é justamente a colega “fora dos padrões”, a com gordurinhas salientes que lhe dá a lição de moral. “Um dia você vai aprender a gostar do seu corpo”. Bingo! Quase aplaudi.

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Só uma mulher poderá traduzir o peso – ou a leveza – da importância que o corpo tem para ela. É um embate constante. Não é apenas o peso; é a forma. Não é apenas a forma; é o padrão. Não é apenas o padrão; é o aceitar-se. Está aí a palavra: aceitar-se. Olhar-se no espelho e se gostar, transar com a luz acesa, despir-se sem pudor em frente às amigas.

Mas nada disso é tão fácil quando o que a mulher vê refletido no espelho é um estranho, que nunca parece encaixar-se em na faixa limítrofe imaginada por ela em algum momento de sua vida. O corpo nunca é o bastante, o espaço nunca é o bastante, nada parece o bastante. É uma luta constante da mulher contra um estranho: o seu próprio corpo.

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Pensei em tudo isso durante aquela sessão de cinema. Talvez as críticas dirigidas às dançarinas do filme apenas refletissem a opinião de mulheres que não reconhecem o seu corpo, sua flacidez e sua fragilidade frente ao tempo. O dia em que elas resolverem dar a mão a este estranho, pode ser  que elas o entendam melhor.

Muito além das cartas – última parte

Confira a primeira e a segunda parte da matéria.

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Atrás do personagem
Em Gravataí, Luciana continua a caminhada apressada. Enquanto entrega correspondências faz gracinhas com os moradores, brinca e fala com os cachorros, talvez na esperança de conquistar a confiança deles. Missão quase impossível. O uniforme azul e amarelo condena. Os cães latem, fazem malabarismos circenses para tentar se aproximar do indivíduo que se aproxima da caixinha de correspondência.

Entre uma entrega e outra, a carteira conta da rotina. Acorda às 6h30min, toma banho e leva o filho de dois anos à creche, acompanhada, de bicicleta, do primogênito de 11 anos. Na volta, prepara o café e vai trabalhar, a duas quadras de casa.

Luciana é quem faz o horário de expediente: quando mais rápido faz as entregas, mais cedo volta para casa. Muitas vezes, às 15h já se encontra no aconchego do ninho. Por isso ela corre. E muito.

“Sabe que aqui eu sou um personagem. Aqui eu sou a Carteira, não a Luciana. Fora daqui ninguém me reconhece. E acho que é por isso que as pessoas confiam em quem está por trás do uniforme”.

No início das atividades como promotora postal, Luciana conta que o marido ficou um pouco desconfiado das seguidas reuniões que ela mesma organizava. “Tudo que é homem acha que as mulheres se juntam para não existirem mais homem. É a mania de perseguição deles”, ironizou. “Mas ele me apoia muito. Aliás, é o único marido que está presente em quase todas as reuniões e palestras de conscientização realizadas para as mulheres.”, conta envaidecida.

No caminho de uma casa a outra, gritos e discussões entre um homem e uma mulher interrompem a entrevista. Luciana olha para a reportagem e faz um sinal com o dedo indicador em direção à casa. “Ouviu? Te disse. Ouvir este tipo de coisa é normal. Não dá para fazer nada. Só entrego a carta e saio. O trabalho é só esclarecer as mulheres e dar o número de telefone (180). Não podemos nos meter”, diz desconsolada.

“Bah, eu já vi marido dando na mulher na minha frente. E a mulher com uma criança pequena no colo. Nessa época eu trabalhava na entrega de conta d’agua, nem sabia como agir”.

Em briga de marido e mulher, pode meter a colher
No caso de Luciana existe uma preparação para lidar com a situação. Como um vizinho pode agir, quando muitas vezes, nem os parentes se envolvem?

É possível que o registro de lesão corporal seja feito por um terceiro, mesmo sem a permissão da vítima. Assim, um inquérito será instaurado e remetido ao Judiciário. No entanto, após o registro, não é mais possível retirar a queixa – retratar-se – na delegacia. Na opinião de Nadine, o procedimento pode auxiliar, mas nada poderá ser feito se a vítima não quiser dar andamento à ação. Inclusive um projeto de lei está sendo estudado para permitir que, no caso de uma denúncia anônima, a polícia entre na casa para se certificar de que realmente houve agressão à mulher. No entanto, ainda causa muita controvérsia no meio jurídico.

Entre denúncias, brigas e conflitos um dado impressiona. “Cerca de 85% dos atendimentos da delegacia não são considerados casos policiais – e o pior é isso – nem serão resolvidos com a simples intervenção da polícia”, contabiliza a delegada. Ela reforça que o problema está mais centrado na saúde pública, no atendimento psiquiátrico e psicológico, por exemplo.

Quem mais frequenta a delegacia é a classe média, porém, a violência é democrática. A mulher pertencente à classe média alta também é atingida pela agressão. Entre elas estão médicas, professoras e funcionárias públicas do alto escalação. A maioria, pelo menos a que mais denuncia, é a mulher de baixa renda. Tal comportamento, em que nem todas as mulheres resolvem ir até a delegacia, impede que exista o registro do número exato de agressões.

A triagem da violência
É para se ter um cenário mais próximo possível da realidade que o Ministério Público do Rio Grande do Sul criou, em novembro do ano passado, um banco de dados pioneiro no país. O setor responsável é o Núcleo de Apoio ao Combate à Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher. Na coleta de dados, considerada mais técnica, estão sendo armazenadas informações como o local em que a mulher foi agredida, quantas vezes, se houve reincidência, o tipo de agressão, o número de filhos, os resultados obtidos pela Justiça e se houve influência de drogas em geral na agressão. A partir daí, será possível visualizar um quadro estatístico mais elaborado.

O cadastro passa então pela primeira etapa, que se refere à estruturação. A seguir, será o treinamento, a orientação e a capacitação das mulheres e dos órgãos que as atendem. Até a primeira quinzena de março, haviam sido feitos 598 cadastros.

Luciana, enquanto isso, continua a caminhada no sol forte do meio-dia. O fôlego permanece praticamente o mesmo do início da jornada. Quando interrogada se enxerga um fim para a situação, a carteira não é tão otimista. “Olha, eu espero dar uma luz, uma ajuda. Quero dar uma palavra de incentivo. Eu acho que é só começo, não é melhor nem pior. Aos pouquinhos, a gente quer conscientizar as próprias mulheres que estão mais próximas da gente, como no trabalho”. E Luciana caminha. Muito. E rápido. Com a certeza de que não está sozinha.

 

Muito além das cartas – parte II

Confira a primeira parte da matéria “Muito além das cartas” aqui.

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Ciclo Vicioso

Baseada em sua experiência, Luciana afirma que um dos principais motivos para que a mulher não saia de casa após a agressão é o sentimento de desamparo. Muitas mulheres, com muitos filhos, ainda pequenos, não têm para onde ir ou ainda não possuem renda própria.

Tal cenário catalisa a perpetuação da agressão. A afirmação é de outra mulher: a responsável pela Delegacia de Mulheres de Porto Alegre, Nadine Anflor, explica que recebe diariamente de 30 a 40 denúncias. Nadine explica que existe um período considerado perigoso para a continuidade do processo. Após a agressão, a mulher logo denuncia, pede a medida de proteção de urgência – que determina que o marido, e não a mulher, saia de casa; ou suspende o porte de armas do agressor, dentre outras ações – e aguarda, em média, de 15 a 20 dias a audiência. “Aí é que mora o perigo. Porque o marido insiste, quer voltar. A mulher, que depende financeiramente do marido, aguenta um, dois, três dias. Mas no quarto ela não tem mais comida para dar aos filhos. O que ela faz? Volta para o companheiro”, lamenta Nadine.

A situação se agrava ainda mais em função de um comportamento característico do agressor. Após as brigas e um possível rompimento, a relação passa por estágios. O primeiro é o de reconciliação, de “lua-de-mel”, onde o marido dá presentes e promete não cometer mais os mesmos erros. Depois, a fase da tensão, das ameaças. E por fim, a explosão, momento em que o companheiro volta a agredir. “Muitas vezes nós estranhamos o retorno, mas na verdade a mulher não quer terminar o relacionamento. Ela só deseja que ele mude o comportamento. Isso dificilmente acontece”, diz a delegada. Comportamentos semelhantes engordam uma triste estatística: entre 80% e 90% dos casos as mulheres não chegam à audiência, desistem do processo.

Somente no ano passado de 2008, cerca de 13 mil ocorrências foram registradas. Mas a delegada ressalta que deste número, 90% são consideradas agressões contra a mulher. O restante são crimes relativos a assaltos, briga entre vizinhos ou furtos, por exemplo. Outro detalhe importante: o número de agressões deve ser bem maior, pois os 13 mil registros são referentes apenas à Delegacia da Mulher, não contando com as outras.

“Ainda não somos iguais”
A Medida Protetiva de Urgência, como é chamada, foi um grande avanço na Lei Maria da Penha (que entrou em vigor em 2006), defende a delegada. “Antes, a mulher, além de ser agredida, tinha que sair de casa, e com os filhos. Agora o delegado tem 48 horas para pedir a retirada do marido da casa e o juiz encaminhar, junto a um oficial de Justiça, o afastamento do companheiro”.

Nadine, de 32 anos, sabe que em uma delegacia existem diversas mazelas, mas quando a agressão diz respeito a uma pessoa do mesmo gênero, a proximidade é inevitável. “Você sabe o que aquela mulher está sentindo, você é uma delas também”. Nadine ainda lamenta e diz que a era da igualdade de gênero, como se fala por aí, está muito distante de acontecer. Não adianta, por mais que falem, nós ainda não somos iguais, não chegamos neste estágio ainda”. […]

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Amanhã, na última parte da matéria, saiba que existe a possibilidade de uma terceira pessoa registrar queixa de lesão corporal, mesmo sem a permissão da vítima. Também será abordado a criação de um banco de dados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul para estes casos.

Muito além das cartas – parte I

Como havia comentado no post anterior, irei dedicar alguns dias desta semana para abordar a violência contra a mulher. Dividirei com vocês uma matéria que produzi lá em 2009, quando ainda cursava jornalismo na Pucrs. O tempo passou, eu sei, mas, infelizmente, o assunto não envelheceu.

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Muito além das cartas

Luciana caminha sob o sol forte do meio-dia de uma quarta-feira, no bairro Cohab B, em Gravataí. Com passos largos e rápidos, deposita cartas quase que automaticamente em caixas de correspondências. Falante, a carteira resiste bravamente perder o resto do fôlego que lhe resta enquanto conta histórias sobre mordidas de cachorro, família e endereços.

Os quatro anos de profissão garantiram à Luciana da Rosa de Souza inúmeras histórias. “As pessoas consideram a gente como alguém de casa, sabe? Já teve quem me atendeu só de calcinha”, conta a carteira, acostumada com atitudes que denotam a confiança dos clientes.

Entre lingeries expostas, convites para almoço, abrigo para chuva e copo d’água, Luciana também é convidada a conhecer parte de uma realidade covarde, mas ainda comum nos lares: a violência doméstica. A sensibilidade feminina permite que ela e outras duas colegas do Centro de Distribuição Domiciliar (CDD) de Gravataí percebam a existência de uma vítima de agressão. Por essa habilidade que Luciana leva no peito, além do crachá dos Correios, um boton lilás destaca sua segunda função: Promotora Postal de Cidadania (PPC).

O trabalho, que é pioneiro no Brasil, foi criado a partir de uma situação vivenciada por uma carteira, que ligou chocada para o RH da instituição após ter presenciado uma agressão durante uma das entregas. A carteira foi orientada a fornecer um número de telefone (180) que orienta vítimas de violência. Depois de algum tempo, ao reencontrar a carteira, a vítima agradeceu a ajuda, dizendo ser de grande valia.

Baseada no resultado, a Coordenadoria de Clima Organizacional dos Correios junto a instituições que atuam na área, resolveram criar um grupo que pudesse auxiliar mulheres vítimas de agressão familiar. O projeto iniciou em 2007, mas o curso de formação de promotoras postais teve a primeira turma em novembro de 2008 quando professores, delegados e representantes de órgãos defesa à mulher realizaram palestras com o apoio de vídeos, filmes e documentários.

A coordenadora de clima organizacional e assessora de relações sindicais dos Correios, Francisca Santos da Silva, esclarece que as promotoras postais não se envolvem com o problema, apenas informam, dão apoio, encaminham e amparam as mulheres.

O projeto das promotoras postais, hoje existente em Porto Alegre e na Região Metropolitana, pretende se expandir ao interior do Rio Grande do Sul. Correspondências já foram enviadas às regiões operacionais para que indiquem carteiras destinadas à função.

 

Para carregar no peito o boton de Promotora Postal, a carteira deve fazer uma pré-seleção. Nela, é analisado o perfil da profissional. A medida é tomada para impedir, por exemplo, que uma profissional vítima de agressão participe e se envolva demasiadamente na ocorrência.

Não é o caso de Luciana, que desde dezembro de 2008 assumiu a função. Ela reconhece, no entanto, que é inevitável que haja um envolvimento. A acessibilidade do contato feito com as vítimas é facilitada pela informalidade.

É por motivos semelhantes que a carteira e estudante de Letras, Josiane Assis de Azevedo, de 25 anos, acredita que o trabalho de orientação torna-se mais viável. Ela diz que a informalidade da abordagem facilita a prevenção à violência: “Existem muitas ONG’s e associações que atuam na área de agressão doméstica, mesmo assim, não são todas as mulheres que procuram. Nós já estamos mais próximas da mulher, entregamos quase diariamente correspondência a elas. Existe uma confiança maior. Entramos onde a polícia não entra”. E é justamente através de conversas que as histórias de humilhações e sofrimento chegam às promotoras postais. “Elas falam muito! Contam toda a vida para a gente”, dizem as carteiras.

A importância do trabalho se destaca ainda mais quando o contato é feito com mulheres de baixa renda. “Muitas pessoas não têm conhecimento de seus direitos. A gente passa na rua e vê muita coisa. Você bate para entregar a correspondência e escuta gritos, é filho sendo espancado, a mulher sendo agredida…nossa…é muita coisa. Ficamos em estado de choque. Antes não sabíamos o que fazer e nem a gente tinha esse conhecimento”, diz Josiane.

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Amanhã, a matéria vai mostrar alguns motivos que fomentam tanta reincidência nos casos de violência doméstica.