Soledad à beira do abismo

Estava a cerca de 20 metros do palco. Sobre ele, uma rosa vermelha dançava e cantava. Não conseguia enxergar Soledad Villamil o suficiente para distinguir seus traços ou seus olhos esverdeados. Mas foi o bastante para me deixar extasiada diante de tamanha voz e beleza.

Mesmo distante, pude perceber que a argentina é um tipo raro de mulher, daquelas que mesmo exibindo apenas, e somente, ombros e braços – únicas partes visíveis de seu corpo – poderia deixar qualquer homem – e por que não, uma mulher? – desconcertado, com os olhos fixos na tez clara que se escondia sob o vestido vermelho.

A sensualidade de Soledad não está no corpo – mesmo que ali ela resida -, está em sua atitude. A cantora é comedida em seus movimentos ao dançar, ao sorrir e a soltar a voz, evitando um suposto exagero. Dá a entender que a cantora sabe se, assim o fizesse, inundaria o palco e o teatro, afogando todos com sua graça e voz elástica.

Soledad é um constante quase transbordar. É a vírgula, a beira do abismo. E é justamente isso que encanta a plateia: o quase, que, por sinal, já é o tudo, já o bastante, já é único.

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