O choro das carpideiras ou O manifesto contra Leonam

Tomo como prática, desde que me formei em Jornalismo, na Pucrs, informar ao meu interlocutor de que não, não fui aluna do Leonam na cadeira de Aprofundamento de texto e no estágio de Redação Jornalística. Confesso que tal negativa está carregada de ressentimento.

Claro que, ao manifestar minha opinião, corro o risco de ser indelicada com os demais professores que com tanto zelo me ensinaram e orientaram na lida apaixonada pela escrita. Nada tenho a me queixar deles. Mesmo. De verdade. Muito do que escrevo e dos erros que tento evitar hoje vêm, justamente, dos conselhos de meus mestres.

No entanto, o nome de Leonam continua a soar com suas sílabas mântricas pelos corredores da Famecos e na boca de jornalistas competentes e reconhecidos. É demais para mim. E a minha não-aula e o meu não-professor se fazem tão presentes quanto realmente tivessem sido um dia.

Fora do saguão da Famecos, pertenço ao grupo conhecido como “as carpideiras de Leonam” ou ainda “os órfãos de Leonam”. Poderia arriscar, inclusive, todos, ou pelo menos parte, dos mandamentos literários ditados por este senhor simpático, tamanha divulgação de seus feitos.

Aliás, esta é uma forte marca de grande parte dos alunos de Leonam: a devoção cega, o brilho nos olhos quando se referem ao mestre de maneira quase obcecada. Leonam comanda um culto digno de receber atenção e vigília. Uma seita pode ser perigosa, por que não?

A propósito do carisma do professor: faço votos de que um dia sua máscara caia saguão da Famecos abaixo enquanto ele discorre mais um de seus conselhos. Seja intragável e incompetente, Leonam! Ao menos uma vez! Permita que falem mal de ti. Não apenas um ou dois alunos, mais, muito mais (minha pesquisa empírica não completou uma dezena de desagrados).

É diante dos motivos expostos acima – e outros que irão despertar ressentimento no calor da hora entre um elogio e outro ao professor – que acredito nunca me curar deste mal. Terei a chance de fazer mestrado, doutorado, trabalhar na redação da New Yorker, escrever um livro, ganhar o Pulitzer, e, ainda assim, algum jornalista irá jogar na minha cara que foi aluno de Leonam. E terei de engolir a seco e dizer com desdém “já ouvi falarem dele”.

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